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PASSPORT RADIO · IRON MAIDEN · 03/09/2026

Iron Maiden chega ao Brasil em 2026. Antes de olhar para Eddie, escute quem faz essa máquina soar como Maiden.

Hoje, 3 de setembro, Iron Maiden, Megadeth e Anthrax dividem o Parc Jean-Drapeau, em Montreal. Em outubro, a Run For Your Lives chega a São Paulo e Curitiba. A notícia é o show. A história é outra: por que bastam poucos segundos para você saber que aquilo é Iron Maiden?

MR. NOMAD · MUSIC DNA2026-09-03
RESPOSTA RÁPIDAO Iron Maiden toca no Brasil em 25 e 27 de outubro de 2026, no Nubank Parque, em São Paulo, e em 28 de outubro na Arena da Baixada, em Curitiba, com Alter Bridge. A formação de turnê reúne Bruce Dickinson, Steve Harris, Dave Murray, Adrian Smith, Janick Gers e Simon Dawson. Mas a pergunta da Passport Radio é: o que cada um faz para a banda continuar reconhecível depois de meio século?
Iron Maiden ao vivo na Run For Your Lives
Créditos: Passport Radio
01 · HOJE

O que está acontecendo com o Iron Maiden agora?

Hoje a turnê de 50 anos está em Montreal. O cartaz reúne três sobrenomes gigantes do metal no mesmo evento: Iron Maiden, Megadeth e Anthrax. Depois, a máquina atravessa a América do Norte, desce pela América Latina e chega ao Brasil.

Isso é o gancho.

Mas se a Passport apenas repetir datas, locais e nomes, ela será mais uma página de agenda.

Então tirem os olhos do palco por um instante, Nômades.

Tirem os olhos de Eddie.

Tirem os olhos até de Bruce Dickinson.

Procurem o baixo.

02 · STEVE HARRIS

O som do Iron Maiden começa na guitarra?

Nem sempre. Uma parte enorme da identidade do Maiden nasce nas quatro cordas de Stephen Percy Harris, Steve Harris: fundador, baixista, compositor e um dos arquitetos centrais da banda.

O famoso galope não é apenas uma figura rítmica bonita. Ele empurra a música. Harris toca baixo como alguém que se recusa a aceitar que o instrumento exista apenas para preencher o andar de baixo.

Escute uma música conhecida e faça o contrário do hábito. Ignore a voz. Ignore o solo. Procure o ataque das cordas do baixo. Perceba quando ele dobra uma guitarra, quando corre por baixo dela e quando cria movimento enquanto as guitarras sustentam a harmonia.

Agora coloque a bateria junto.

De repente você começa a perceber uma coisa importante: o Maiden não galopa porque alguém decidiu colocar uma guitarra rápida em cima de uma bateria rápida.

A banda inteira aprende a respirar em volta de um baixo que se comporta como motor.

03 · TRÊS GUITARRAS

Por que o Iron Maiden precisa de Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers?

David Michael Murray, Dave Murray. Adrian Frederick Smith, Adrian Smith. Janick Robert Gers, Janick Gers.

Três guitarristas poderiam produzir excesso. No Maiden, o desafio é justamente transformar abundância em arquitetura.

Murray carrega uma fluidez melódica que faz muitas frases parecerem deslizar. Smith costuma trazer construção, precisão e um senso de composição imediatamente reconhecível. Gers adiciona outra energia física e outra maneira de atacar a guitarra.

Mas não escute apenas os solos.

Esse é o truque.

Procure o que acontece quando ninguém está solando. Quem dobra quem? Quem abre espaço? Quem sustenta? Onde uma guitarra deixa de tocar exatamente a mesma coisa para que outra apareça?

É aí que três guitarras deixam de ser três guitarras.

Viram uma linguagem.

04 · BRUCE

Bruce Dickinson é apenas a voz do Iron Maiden?

Paul Bruce Dickinson é o homem que o público vê correndo, saltando, conduzindo multidões e transformando refrões em acontecimentos coletivos. Mas reduzir sua função a “vocalista” é perder metade do trabalho.

A voz precisa atravessar três guitarras, baixo agressivo, bateria, cenografia e dezenas de milhares de pessoas. Dickinson trabalha dinâmica, articulação, extensão e teatro. Ele não está apenas cantando por cima do Maiden. Está ocupando um espaço que a própria banda constrói para a voz.

Agora faça um teste: ouça um refrão e, em vez de acompanhar Bruce, escute o que Harris faz por baixo dele. Depois procure as guitarras. Volte à voz.

Você acabou de transformar uma música que conhece há décadas em outra música.

05 · A CADEIRA QUE MUDOU

Quem toca bateria no Iron Maiden em 2026?

Simon Dawson ocupa a bateria na Run For Your Lives. A mudança tem peso porque o lugar foi associado durante décadas a Michael Henry McBrain, Nicko McBrain.

E aqui está uma das perguntas mais interessantes desta turnê: como uma banda preserva identidade quando troca uma peça tão física?

Não procurando uma fotocópia humana.

A bateria precisa respeitar a linguagem das músicas e, ao mesmo tempo, existir no presente. O próprio Steve Harris confirmou Dawson novamente para a etapa de 2026 depois da recepção da primeira fase da turnê.

Ouça a condução. O bumbo. A maneira como as viradas devolvem a música ao riff. Depois coloque Harris junto.

Bateria isolada.

Baixo isolado.

Os dois juntos.

Agora as três guitarras.

Agora Bruce.

Pronto.

Você não está mais ouvindo “Iron Maiden”.

Está ouvindo as peças que fazem Iron Maiden existir.

PASSPORT RADIO · LIVE LISTENING · RUN TO THE HILLS

Créditos: Passport Radio

06 · BRASIL

Quando o Iron Maiden toca no Brasil em 2026?

São Paulo recebe a banda em 25 e 27 de outubro, no Nubank Parque. Curitiba recebe a Run For Your Lives em 28 de outubro, na Arena da Baixada. O Alter Bridge aparece como convidado especial nas datas brasileiras.

É uma turnê construída em torno dos primeiros nove álbuns do Maiden. Isso muda a experiência porque coloca o público diante do período em que grande parte da gramática da banda foi escrita.

Então, quando as luzes apagarem no Brasil, tente uma experiência.

Na primeira música, assista normalmente.

Na segunda, procure Harris.

Na terceira, escolha uma guitarra.

Na quarta, escute apenas bateria e baixo.

Na quinta, volte para Bruce.

Depois junte tudo.

Talvez seja aí que você entenda por que uma banda pode trocar integrantes, atravessar décadas, mudar produção, palco e tecnologia — e ainda ser reconhecida antes mesmo de alguém começar a cantar.

07 · MUSIC DNA

Então qual é o DNA do Iron Maiden?

Não é Eddie.

Não é apenas o galope.

Não é apenas Bruce.

Não são apenas as guitarras harmonizadas.

É a relação.

Steve Harris empurra. A bateria organiza esse impulso. As guitarras transformam movimento em melodia e tensão. Dickinson encontra uma linha humana no meio da arquitetura. E o palco amplia tudo até aquilo parecer maior do que seis pessoas.

Bandas não são logotipos.

Bandas são relações entre músicos.

E talvez seja por isso que, cinquenta anos depois, você ainda precisa de poucos segundos.

Não para reconhecer Eddie.

Para reconhecer o som.

MR. NOMAD

Tire os olhos de Eddie.

Nômades, em outubro o Brasil vai cantar cada palavra. Vai fotografar o palco. Vai procurar Eddie. Vai esperar Bruce correr.

Façam tudo isso.

Mas me deem quatro minutos.

Procurem Steve Harris.

Depois Simon Dawson.

Depois Murray, Smith e Gers.

Depois Bruce.

E finalmente deixem os seis voltarem para dentro da mesma música.

Porque a pergunta nunca foi apenas quem está no Iron Maiden.

A pergunta é: quem está fazendo essa música soar exatamente assim?

Mr. Nomad

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