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Ana Castela

Abre a porteira: Ana Castela acaba de chegar à Passport Radio — e a Boiadeira Linda entrou pela porta da frente

Em “Fire Arena”, Ana cresce, experimenta, mistura country e pop e mostra uma versão mais madura sem abandonar justamente aquilo que fez todo mundo reconhecer a Boiadeira

Mr. Nomad

Abre a porteira.

Pode abrir inteira.

Porque a primeira matéria de Ana Castela na Passport Radio não chegou devagarzinho, não.

Chegou de chapéu.

Country.

Pop.

Guitarra.

Banjo.

Coração quebrado.

Coração reconstruído.

E com um álbum chamado:

FIRE ARENA.

Sim.

A Boiadeira Linda entrou na Passport.

E antes que alguém reclame do adjetivo:

temos provas fotográficas anexadas aos autos.

Duas.

O processo está muito bem instruído.

Caso encerrado.

😂🤠

AGORA VAMOS AO DISCO

FIRE ARENA é o segundo álbum de estúdio de Ana Castela e chega depois de Let’s Go Rodeo.

Só que a proposta aqui não parece ser simplesmente repetir o que já funcionou.

Ana está mexendo na própria fórmula.

Tem country.

Tem pop.

Tem guitarras mais presentes.

Tem sintetizadores.

Tem referências do country norte-americano.

Tem vulnerabilidade.

Tem liberdade feminina.

Tem relacionamento dando errado — porque ninguém também precisa abandonar completamente as tradições brasileiras.

😂

Mas existe principalmente uma artista tentando mostrar que cresceu sem precisar fingir que virou outra pessoa.

“ANA CASTELA 2.0”

O produtor Mateus Félix resumiu a intenção dessa maneira.

A ideia era ouvir o álbum e encontrar uma Ana Castela mais madura nas letras, melodias, arranjos e no próprio som.

E não foi trabalho de apertar dois botões e mandar para o streaming.

O projeto levou mais de cinco meses.

Algumas músicas chegaram a ganhar três arranjos diferentes antes de a equipe decidir qual funcionava melhor.

E cada faixa passou por pelo menos oito mixagens.

Oito.

Depois da terceira eu já estaria dizendo:

“Está ótimo, ninguém vai perceber.”

Ainda bem que não me chamaram para produzir.

E A BOIADEIRA PARTICIPOU DA CONSTRUÇÃO

Ana não ficou apenas esperando o álbum aparecer pronto.

Participou do processo artístico.

O projeto contou ainda com músicos internacionais e mixagem de João Milliet e Pedro Peixoto, vencedores do Grammy.

A ideia era levar o som para outro nível sem apagar a identidade que trouxe Ana até aqui.

E isso aparece já nas músicas.

“É QUE EU NÃO TE ESQUECI”

A abertura traz um pop rock mais musculoso.

Guitarra.

Melodia grande.

E aquela velha especialidade humana:

dizer que já superou alguém enquanto demonstra, durante aproximadamente três minutos, que claramente ainda existe alguma coisa acontecendo ali.

Clássico.

“VOU VENDER O MEU CHAPÉU”

Aqui a coisa fica excelente.

Relacionamento acabou.

Deu ruim.

O que fazer?

Terapia?

Viagem?

Bloquear?

Não.

Ana decide vender o chapéu.

Vender a bota.

Vender tudo que lembra a pessoa.

É praticamente a:

OLX EMOCIONAL DA BOIADEIRA.

“Motivo da venda: ex.”

“Pouco uso.”

“Não aceito troca.”

😂

Por trás da brincadeira, a música usa justamente objetos ligados à identidade da cantora para representar a vontade de arrancar da vida tudo que ainda carrega memória daquele relacionamento.

“EU NÃO VOU MUDAR”

Essa já entra avisando.

A guitarra sendo ligada ao amplificador aparece logo no começo.

O timbre western assume espaço.

E a mensagem também não faz rodeio:

apaixonar-se não significa desmontar quem você é para caber na expectativa de outra pessoa.

É uma das faixas que melhor traduz essa fase do disco.

Mais madura.

Mais segura.

E ainda reconhecivelmente Ana Castela.

TEM BANJO TAMBÉM

“Hoje Tem Rodeio” coloca o banjo na conversa.

Só que não transforma o álbum numa peça de museu country.

Quando o refrão chega, a coisa vai para a pista.

“A galera do chapéu já tá sem freio.”

Parece um diagnóstico razoavelmente preciso.

“É Bom Demais” segue por esse caminho de arena, festa e multidão.

Ou seja:

a boiadeira cresceu.

Mas ninguém confiscou a boiada.

E TEM VULNERABILIDADE

“Não Depende Só de Mim” entra num território mais romântico.

Aquele amor que poderia acontecer.

Que talvez aconteça.

Que depende de duas pessoas.

O problema tradicional da humanidade desde que alguém inventou a ideia de gostar de outra pessoa.

Já “Rodeio Acabou” fecha o álbum misturando narração, desilusão e humor.

Ana começa quase contando uma história de novela.

Só que aconteceu com ela.

Numa cidade pequena.

Fim do rodeio.

Fim do romance.

Acende a luz.

Pode recolher as cadeiras.

E É AÍ QUE “FIRE ARENA” FUNCIONA

Porque amadurecer musicalmente não precisa significar pedir desculpa pelo que você fazia antes.

Ana não joga fora o country.

Não joga fora o rodeio.

Não joga fora o chapéu.

Bom...

na música ela quase vende.

😂

Mas artisticamente não.

Ela aumenta o espaço.

Coloca pop.

Experimenta produção.

Usa outras texturas.

Traz guitarras.

Sintetizadores.

Banjo.

E continua reconhecível.

Essa é a diferença entre evoluir e simplesmente vestir uma fantasia musical nova.

E JÁ QUE ESTAMOS FALANDO DA BOIADEIRA...

Vamos às provas.

Ana Castela

AGORA APERTA O PLAY

Ana Castela — Solteiro Forçado (DVD Boiadeira Internacional)

Ana Castela — Nosso Quadro (DVD Boiadeira Internacional)

Ana Castela chegou pela primeira vez à Passport Radio.

Não precisou abandonar o chapéu na porta.

Não precisou virar outra artista.

Não precisou pedir desculpa por ser sertanejo, country, pop ou qualquer combinação que resolva experimentar amanhã.

Trouxe FIRE ARENA.

Trouxe uma fase nova.

Trouxe a Boiadeira.

E, depois das provas fotográficas apresentadas...

sim, trouxe a Boiadeira Linda também.

Pode fechar os autos. 🤠