
Sir Elton John chegou à Passport Radio. E chegou justamente quando está dizendo adeus aos palcos
Aos 79 anos, ele voltou à Cidade do México depois de 14 anos para agradecer. Mais de 60 mil pessoas responderam cantando 55 anos de história com ele
Mr. Nomad
Senhoras e senhores.
Tem certas pessoas para quem não dá simplesmente para escrever:
“Elton John fez um show.”
Não.
Calma.
SIR ELTON JOHN CHEGOU À PASSPORT RADIO.
Primeira vez.
E o homem resolveu entrar justamente vestido de branco, de óculos vermelhos, diante de mais de 60 mil pessoas na Cidade do México.
Discreto.
Como sempre.
😂
Só existe um pequeno detalhe capaz de deixar essa estreia um pouco mais emocional do que gostaríamos:
Elton está se despedindo da vida de grandes turnês.
Então fica estabelecida uma regra antes de continuar:
ninguém começa a chorar agora.
Tem cinco vídeos pela frente.
A gente conversa depois.
34 ANOS DEPOIS
Elton voltou ao Estadio Banorte — o antigo Estadio Azteca — 34 anos depois de sua primeira apresentação naquele palco.
Também era a primeira vez em 14 anos que ele reencontrava o público mexicano.
E havia uma dívida no meio dessa história.
A Farewell Yellow Brick Road não passou pela Cidade do México como deveria por causa da pandemia.
Elton não esqueceu.
Por isso decidiu fazer aqueles dois shows.
Ele explicou ao público que queria voltar para agradecer por todo o amor e apoio recebido durante tantos anos.
Depois mandou:
“Vamos nos divertir!”
Muito melhor.
Porque despedida de Elton John não combina com sala escura e violino triste.
Combina com piano.
Lantejoula.
Óculos impossíveis.
Plataforma.
Cor.
E 60 mil pessoas berrando refrões que conhecem há décadas.
E O PÚBLICO ENTENDEU A PROPOSTA
Choveu.
Não importou.
A plateia apareceu vestida para a ocasião.
Ternos brilhantes.
Óculos coloridos.
Casacos.
Sapatos plataforma.
Gente de várias gerações transformando o estádio numa espécie de exposição ambulante de décadas de Elton John.
E então ele fez o que veio fazer.
Sentou ao piano.
Duas horas.
24 músicas.
ROCKET MAN
Era impossível passar por aquela noite sem “Rocket Man”.
A música ganhou uma versão estendida, com Elton prolongando o final ao piano por quase quatro minutos.
E um estádio inteiro foi junto.
Rocket Man
Pronto.
Agora pode respirar.
Ainda não pode chorar.
CROCODILE ROCK VIROU MEXICANA POR ALGUNS MINUTOS
Antes da música, uma mensagem de Elton apareceu nos telões dedicando o momento aos fãs.
Depois vieram imagens de pessoas usando roupas tradicionais mexicanas, camisas da seleção e referências ao país.
O estádio ficou verde, branco e vermelho.
E “Crocodile Rock”, por alguns minutos, ganhou endereço mexicano.
Crocodile Rock
AÍ ELE APELOU
Porque uma coisa é tocar “Crocodile Rock”.
Outra é colocar:
“Candle in the Wind”.
A canção escrita originalmente em homenagem a Marilyn Monroe — e que anos depois ganharia outra versão associada para sempre à memória da princesa Diana — apareceu acompanhada por imagens de Marilyn nos telões.
Aí fica difícil cumprir aquela regra de não chorar.
Tudo bem.
Uma fungada está autorizada.
Candle in the Wind
E DEPOIS O PIANO LEMBROU QUEM MANDA
“Bennie and the Jets”.
Elton John.
Piano.
Rock.
Aquele jeito de tocar em que parece perfeitamente razoável imaginar que o instrumento possa pedir férias depois.
Bennie and the Jets
OLHA QUEM APARECEU DE NOVO
Dua Lipa.
Não fisicamente dessa vez.
Em “Cold Heart”, ela apareceu nos telões enquanto o estádio inteiro dançava.
Sim.
A mesma Dua que acabou de aparecer com Shakira também resolveu dar uma passada na estreia de Elton John na Passport.
A moça está fazendo plantão nesta redação e ninguém avisou.
😂
Cold Heart
NÃO É UM FIM DA MÚSICA
Isso precisa ficar claro.
Elton John não está desaparecendo.
Não estamos escrevendo obituário.
Não estamos fechando piano.
Estamos falando de um homem de 79 anos encerrando uma fase monumental da própria vida.
Uma vida que passou décadas atravessando países, aeroportos, arenas, estádios e gerações.
No México, ele quis agradecer.
E mais de 60 mil pessoas responderam do jeito possível:
cantando de volta.
Sir Elton John demorou para ganhar sua primeira matéria na Passport Radio.
Tudo bem.
Entrou pela porta da frente.
De branco.
Óculos vermelhos.
Sentou ao piano.
E trouxe 55 anos de história junto.
Bem-vindo, Sir.
A casa já estava devendo essa cadeira para você.