Aos 85, Dionne Warwick se despede dos palcos — mas existe um pequeno problema: ela não consegue se despedir do Brasil
No Vivo Rio, foram Bacharach, Hal David, Jobim, Ary Barroso, seis décadas de carreira e uma promessa maravilhosa: o palco pode ficar para trás, mas restaurante, shopping e praia continuam no roteiro. Pela primeira vez, Dionne Warwick entra na Passport Radio.
Mr. Nomad
Dionne Warwick · Gal Costa · Burt Bacharach · Hal David · Tom Jobim · Ary Barroso · Aquarela do Brasil · That’s What Friends Are For · DWuets
ROMPAM OS TAMBORES.
Não.
Mais alto.
ROMPAM OS TAMBORESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS.
Porque demorou.
Demorou demais.
Mas aos 85 anos, depois de atravessar mais de seis décadas de música, incontáveis palcos, clássicos que já pertencem à memória coletiva e uma relação com o Brasil que definitivamente não cabe na palavra “visita”...
DIONNE WARWICK FINALMENTE ENTROU NA PASSPORT RADIO.
Pode entrar, senhora.
Não precisa mostrar documento.
Não precisa preencher formulário.
E definitivamente não precisa apresentar atestado de óbito.
A senhora está vivíssima.
E temos provas.
Aliás, quatro fotografias. 😂
Mas vamos tratar nossa diva como ela merece.
Com carinho.
Com respeito.
Com amor.
E com aquela vontade inevitável de olhar para ela sentadinha no palco, cantando, e pensar:
FOFAAAAAAAAAAAAA. 🥰
ELA TEM 85 ANOS. DEIXA A MULHER DESCANSAR.
Dionne Warwick chamou esta passagem de Over and Out – A Farewell Tour.
Depois de mais de seis décadas vivendo entre estúdios, aeroportos, hotéis, ensaios, entrevistas e palcos, ela decidiu que quer uma coisa bastante revolucionária para alguém que passou a vida pertencendo ao público:
um pouco de tempo para ela.
Bonito.
Correto.
E incompleto pra cacete.
Porque Dionne pode até estar se despedindo dos palcos.
Do Brasil?
Aí a conversa muda.
DIONNE NÃO SABE MUITO BEM COMO IR EMBORA DAQUI
No sábado, 17 de outubro de 2026, ela subiu ao palco do Vivo Rio.
Vieram Walk On By.
Anyone Who Had a Heart.
I Say a Little Prayer.
Alfie.
Déjà Vu.
I’ll Never Love This Way Again.
E, claro, That’s What Friends Are For.
Era uma despedida internacional.
Mas Dionne Warwick no Brasil nunca foi apenas uma artista internacional passando por aqui.
O repertório resolveu lembrar disso.
GAROTA DE IPANEMA ENTROU NA DESPEDIDA
No meio do show apareceu um bloco brasileiro que não estava ali como souvenir turístico.
The Girl from Ipanema.
Oh Bahia (Na Baixa do Sapateiro).
Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars).
Wave.
Waters of March.
Aquarela do Brasil.
Dionne já admitiu que seu português é praticamente nulo.
Mas conhece o essencial:
bom dia.
boa tarde.
boa noite.
Para quem canta Jobim, Ary Barroso e atravessa décadas voltando ao Brasil, talvez a gramática possa esperar um pouquinho.
MAS ISSO NÃO COMEÇOU AGORA
A relação de Dionne Warwick com o Brasil atravessa décadas.
Nos anos 1990, o país deixou de ser apenas destino de turnê e passou a ocupar espaço real na vida dela, entre Rio de Janeiro e Salvador.
Em 1994 veio o álbum Aquarela do Brasil, produzido por Téo Lima.
Tom Jobim estava nessa história.
Ary Barroso estava nessa história.
Chico Buarque também.
O Brasil não foi colocado na discografia de Dionne como adesivo de viagem.
Entrou na música.
E ficou.
E TINHA GAL
Entre os vínculos brasileiros de Dionne existia um particularmente afetivo:
Gal Costa.
As duas foram amigas.
Dividiram palco.
Cantaram juntas.
Em 2009, estiveram juntas em apresentações no Brasil.
E quando Dionne falou sobre quem gostaria de ter novamente ao lado nessa passagem final pelos palcos, apareceu uma ausência impossível de resolver.
Gal.
Gal Costa morreu em 2022.
E Dionne ainda sente falta dela.
Aqui a piada sai de cena um instante.
Porque despedidas têm dessas coisas.
Às vezes você olha para o palco pela última vez e percebe também quem deveria estar ali — mas não pode mais estar.
Só que nós temos uma coisa maravilhosa.
Podemos vê-las juntas outra vez.
Aperta o play.
Gal Costa e Dionne Warwick — “Garota de Ipanema”, ao vivo.
BURT BACHARACH E HAL DAVID ESTAVAM LÁ DESDE O COMEÇO
No início dos anos 1960, o encontro com Burt Bacharach e Hal David ajudou a construir uma das assinaturas mais reconhecíveis da música popular americana.
Não era apenas uma voz cantando grandes composições.
Era aquela voz.
Aquela elegância.
Aquela maneira de fazer uma frase parecer simples depois que ela já tinha atravessado o coração de alguém.
Walk On By.
Anyone Who Had a Heart.
I Say a Little Prayer.
Alfie.
Depois vieram outras fases, outros compositores e outras canções.
Déjà Vu.
Heartbreaker.
E uma carreira que recusou a ideia de pertencer a uma única década.
E ENTÃO QUATRO AMIGOS FIZERAM UMA MÚSICA VIRAR OUTRA COISA
Em 1985, Dionne Warwick gravou That’s What Friends Are For com Elton John, Gladys Knight e Stevie Wonder.
A gravação virou um dos grandes momentos populares da campanha de arrecadação para pesquisas sobre AIDS.
Uma música sobre amizade passou a carregar também uma ação concreta.
Décadas depois, ela continua ali.
E foi justamente That’s What Friends Are For que fechou o show do Rio.
Não existe muita necessidade de explicar a escolha.
Às vezes o repertório sabe encerrar a história sozinho.
ELA ESTÁ SE APOSENTANDO. CALMA.
A despedida é dos palcos.
Não da música.
Dionne prepara DWuets, anunciado como seu último álbum, com canções de Diane Warren e duetos que incluem John Legend e Cynthia Erivo.
Ou seja:
Dionne comunicou a aposentadoria.
A música aparentemente não recebeu o memorando.
Em 2019, ela recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award.
Em 2024, entrou para o Rock & Roll Hall of Fame com o Musical Excellence Award.
Bonito currículo para alguém que agora só está tentando conseguir um pouco de tempo para si mesma.
E O BRASIL TAMBÉM NÃO RECEBEU O MEMORANDO
No Rio, Dionne avisou aos fãs que eles não a veriam novamente no palco.
Mas completou:
“Mas vocês ainda vão me ver por aí, seja no restaurante, no shopping, na praia, eu ainda voltarei para cá.”
Pronto.
Era uma turnê de despedida.
Virou um “até daqui a pouco”.
E combina perfeitamente com uma artista cuja relação com o Brasil já dura tempo demais para caber numa última apresentação.
O QUE DIONNE CANTOU NO VIVO RIO
1. Walk On By
2. Anyone Who Had a Heart
3. You’ll Never Get to Heaven (If You Break My Heart)
4. I’ll Never Fall in Love Again
5. Message to Michael
6. This Girl’s in Love with You
7. I Say a Little Prayer
8. Alfie
9. The Girl from Ipanema
10. Oh Bahia (Na Baixa do Sapateiro)
11. Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars)
12. Wave
13. Waters of March
14. Aquarela do Brasil
15. Do You Know the Way to San Jose?
16. If I Want To
17. I’ll Never Love This Way Again
18. Déjà Vu
19. 99 Miles from L.A.
20. What the World Needs Now Is Love
21. That’s What Friends Are For
E PARA O GOOGLE QUE ESTÁ PASSANDO POR AQUI...
Dionne Warwick. Dionne Warwick Brasil. Dionne Warwick Rio de Janeiro 2026. Vivo Rio. Over and Out. Farewell Tour. Gal Costa. Garota de Ipanema. Aquarela do Brasil. Burt Bacharach. Hal David. Tom Jobim. Ary Barroso. That’s What Friends Are For. DWuets.
Pronto.
O robô comeu.
Agora voltamos a escrever para gente. 😎🍕
AGORA APERTA O PLAY
Uma carreira desse tamanho não cabe num vídeo.
Mas amizade, despedida e Dionne Warwick na mesma frase já são motivos suficientes para mais alguns minutos.
Dionne Warwick, Stevie Wonder, Elton John e Gladys Knight — “That’s What Friends Are For”.
E AGORA SIM: BEM-VINDA À PASSPORT, DIONNE
Demorou para Dionne Warwick aparecer por aqui.
Então não fazia sentido recebê-la pela porta lateral.
Ela entrou pela frente.
Com Bacharach.
Com Hal David.
Com Jobim.
Com Ary Barroso.
Com Gal.
Com o Rio.
Com uma despedida que não consegue ser exatamente despedida.
E com aquela serenidade maravilhosa de quem já não precisa provar absolutamente nada.
Depois de mais de seis décadas dando Dionne Warwick para o mundo...
talvez tenha chegado a hora de devolver um pouco de Dionne para Dionne.
Bom dia, Dionne.
Boa tarde, Dionne.
Boa noite, Dionne.
O português já resolve.
O resto a gente entende pela música.
🥰
Primeiro a história. Depois a música.