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smush — uma das cinco novas bandas internacionais que entraram no radar da Passport Radio

O algoritmo acertou. Que droga. Conheça 5 bandas que acabaram de entrar no radar da Passport

Estados Unidos, Canadá e Singapura aparecem no nosso último mergulho atrás de música nova — e encontramos shoegaze, dream pop, slowcore, grunge, guitarras barulhentas e cinco excelentes motivos para continuar fuçando

Mr. Nomad

O ALGORITMO ACERTOU.

Que droga.

😂

A gente passa uma quantidade considerável de tempo reclamando de algoritmo.

Algoritmo que empurra a mesma música.

Algoritmo que decide o que você deveria gostar.

Algoritmo que transforma descoberta musical em fila de supermercado.

E aí, justamente quando estávamos preparados para reclamar dele de novo, apareceu uma música.

“milkweed butterfly”.

Da smush.

E pronto.

Lá se foi a tarde.

E O QUE MAIS TEM AÍ?

Essa é uma doença conhecida por quem ainda gosta de descobrir música.

Você encontra uma banda.

Depois encontra outra.

Abre uma aba.

Depois outra.

Quando percebe, existem 27 abas abertas, alguém está cantando de dentro de um porão em Minneapolis e você já não lembra que diabos estava procurando originalmente.

Foi mais ou menos assim que chegamos a estas cinco bandas.

Não são cinco nomes escolhidos porque algum relatório decidiu que eles precisam aparecer em todos os lugares esta semana.

São cinco portas que abriram outras portas.

E isso é muito mais divertido.

1. SMUSH — QUANDO O SHOEGAZE RESOLVE CORRER

smush

A smush nasceu em Vancouver, no Canadá, e hoje está baseada no Brooklyn.

Emily Borrowman, Atley King, Rudi Neubrander e Wilson Woods já tinham lançado o álbum de estreia if you were here i'd be home now, em 2024.

Mas foi “milkweed butterfly” que nos puxou pelo braço.

Porque a música começa fazendo você pensar que sabe onde está.

Shoegaze. Paredes de guitarra. Voz mergulhada naquela névoa bonita.

Até que entram elementos de drum and bass, jungle e breakbeats e a coisa começa a correr.

É como se alguém tivesse colocado rodas embaixo do shoegaze.

E funcionou.

A faixa também carrega uma história pessoal de Emily Borrowman, passando por infância, imigração e ansiedade — justamente o tipo de coisa que faz uma música deixar de ser apenas uma combinação interessante de gêneros.

A smush já anunciou o segundo álbum, i'll always wish,,, previsto para 22 de janeiro de 2027.

2. KITTRIDGE — BARULHO BONITO E 16MM

Kittridge

Depois apareceu Kittridge.

Projeto de Katie Sadler.

E a primeira música já chega com um nome maravilhoso:

“Root Rot”.

Podridão de raiz.

Excelente maneira de começar uma carreira. 😌

A música passeia por grunge, garage rock, shoegaze e noise sem parecer uma lista de supermercado de subgêneros.

Tem sujeira.

Tem peso.

Tem melodia.

E tem aquela sensação de que alguma coisa pode sair dos trilhos a qualquer momento.

Melhor ainda: Katie dirigiu e editou o próprio vídeo, trabalhando com manipulação de filme 16mm.

Ou seja: não bastava fazer a música.

Tinha que meter a mão também na imagem.

Gostamos desse tipo de problema.

Um álbum está a caminho, embora o título ainda não tenha sido anunciado.

3. CHUTES — MINNEAPOLIS CONTINUA FAZENDO BARULHO

Chutes

Ryan Kemp e Anna Devine formam a Chutes, em Minneapolis.

E “Star”, lançada em 25 de setembro, tem exatamente aquela mistura que costuma fazer a gente parar.

Fuzz.

Melodia.

Ruído.

E espaço suficiente para a música respirar no meio disso tudo.

A dupla prepara o EP Brighter than Before, com cinco faixas, previsto para 13 de novembro.

“Trace” também já aparece como a próxima peça anunciada desse quebra-cabeça.

É música para quem gosta quando a guitarra parece estar brigando com a melodia — mas as duas secretamente sabem que precisam uma da outra.

4. BABY WAVE — A CENA ESTÁ MUDANDO. AINDA BEM.

Baby Wave

Book, Gardner Gottsegen e Jakob Bibb aparecem na Baby Wave, projeto DIY de East Nashville.

“The Scene is Changing”, lançada em 6 de outubro de 2026, é a primeira música nova do grupo desde 2024.

E chega junto de uma mudança importante: a assinatura com a Saddle Creek.

A Baby Wave mistura slowcore, emo, shoegaze e slacker rock sem parecer particularmente preocupada em preencher corretamente a ficha de classificação.

Graças a Deus.

“The Scene is Changing” funciona como uma carta de amor para uma cena que está mudando.

E o vídeo ajuda a colocar rostos nessa história: foi filmado no espaço DIY Ryman 2, cercado por gente da própria cena.

É exatamente aí que música independente fica interessante.

Não quando alguém anuncia que existe uma “nova cena”.

Mas quando você percebe que as pessoas já estavam construindo uma enquanto ninguém estava olhando.

E antes que alguém invente um fã-clube chamado “Ondinhas”...

NÃO.

😂

5. SHYE — CACETE, SHYE. DEIXA PELO MENOS ALGUÉM SEGURAR A PORTA.

Shye

Então chegamos a Singapura.

E a Shye.

“If Today Was Yesterday” entra por dream pop, soft alternative rock e shoegaze com uma delicadeza que engana um pouco.

Porque aí você olha os créditos.

Vocais.

Guitarra.

Baixo.

Teclados.

Sintetizadores.

Bateria.

Composição.

Produção.

Gravação.

Mixagem.

Masterização.

Shye.

Shye.

Shye.

Shye.

CACETE, SHYE.

DEIXA PELO MENOS ALGUÉM SEGURAR A PORTA.

😂

A faixa aparece no álbum The Doves Came Home, lançado em 8 de maio de 2026, com 14 músicas.

E se você quiser continuar fuçando, procure também por “Too Late + Smoke | THE BOX”.

ENTÃO O ALGORITMO DESCOBRIU ESSAS BANDAS?

Não exatamente.

Algoritmos encontram padrões.

PESSOAS ENCONTRAM HISTÓRIAS.

O algoritmo pode colocar uma música na nossa frente.

Mas é alguém que aperta play.

É alguém que pergunta:

“Quem diabos é essa banda?”

É alguém que abre outra música.

Procura um show.

Descobre outra banda no mesmo buraco.

E de repente existe uma história.

Foi isso que aconteceu aqui.

AGORA PRESTA ATENÇÃO, BANDA NOVA.

TEM UMA BANDA? MANDA.

Acabou de lançar o primeiro single? MANDA.

Tem um EP? MANDA.

Tem uma demo? MANDA.

Tem clipe? MANDA.

Gravou uma session? MANDA.

Gravou um show decentemente? MANDA.

Gravou indecentemente? MANDA TAMBÉM.

Tem 23 seguidores, sendo sete parentes? MANDA.

Sua mãe é responsável por metade dos streams?

Agradeça sua mãe.

E MANDA.

Não importa se vocês ensaiam numa garagem, num quarto, num porão, numa loja depois do expediente, num estúdio impecável ou naquele bar onde o banheiro fica perigosamente perto do palco.

MANDA.

“MAS NINGUÉM CONHECE A NOSSA BANDA.”

EXCELENTE.

Você acabou de entender o motivo desta matéria existir.

Nós queremos publicar bandas novas.

QUEREMOS PUBLICAR E FAZER VOCÊS SEREM VISTOS.

Não estamos prometendo fama.

Não estamos prometendo milhões de streams.

Estamos dizendo uma coisa muito mais simples:

Se houver música, história e alguma coisa interessante acontecendo aí, queremos saber.

E NÃO: A PASSPORT NÃO COBRA PARA PUBLICAR SUA BANDA.

NÃO COBRAMOS PARA PUBLICAR ARTISTA.

Não existe “pacote editorial premium”.

Não existe “pague para nossa equipe considerar sua música”.

Não existe “R$ 299 para descoberta orgânica”.

Essa última expressão, aliás, já deveria render cadeia estética.

Se é anúncio, é anúncio.

Publicidade é publicidade.

EDITORIAL É EDITORIAL.

Não misturamos os dois escondido embaixo da mesa.

Quer aparecer editorialmente porque existe uma história?

FALE COM A PASSPORT.

E VOCÊ QUE ESTÁ LENDO TAMBÉM PODE FAZER A BAGUNÇA AUMENTAR.

Conhece uma banda pequena da sua cidade?

Um projeto estranho que ninguém está olhando?

Uma artista independente fazendo alguma coisa maravilhosa num quarto?

Uma banda que toca para 40 pessoas e deveria tocar para 400?

MANDA PRA GENTE.

E acompanhe a Passport onde você preferir: WhatsApp, Telegram, Reddit, X, YouTube, Kwai e TikTok.

Porque hoje chegamos a cinco bandas.

Amanhã pode ser uma banda do Japão.

Da Argentina.

Da Islândia.

Do interior do Brasil.

De algum lugar que nem apareceu ainda no nosso radar.

E a pergunta não é:

“Vocês já são grandes?”

A pergunta é:

O QUE VOCÊS TÊM PARA MOSTRAR?

Se a resposta for:

“MÚSICA.”

Então...

MANDA.

Passport Radio

Primeiro a história. Depois a música.